segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sonhar ou manter os pés no chão?

Outro dia, um amigo fez um comentário que me deixou pensativo... Disse que eu era um eterno sonhador e que deveria pensar se não seria melhor manter os pés no chão.
Confesso que, embora não fosse necessário, até porque sempre fui convicto em relação às minhas atitudes, naquele momento resolvi parar e pensar a respeito daquela colocação. Comecei perguntando pra mim mesmo o que seria melhor: Sonhar ou manter os pés no chão!?
Por eu reconhecer que, realmente, era um sonhador convicto, acreditava que não precisando negar aquela característica pessoal, seria mais fácil encontrar uma resposta.
A primeira conclusão foi que eu não conseguiria sair do lugar sem fazer algumas comparações com outras pessoas, tão sonhadoras quanto eu.
Lembrei-me de Monteiro Lobato: "Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos".
Quem sabe por aí, eu poderia encontrar a minha resposta!
Santos Dumont sonhou que podia voar. Deu asas à imaginação e hoje temos o avião.
Dessa forma, diminuímos a distância.
Alexandre Graham Bell sonhou em conversar com alguém distante, e hoje temos o telefone. Outra vez, diminuímos a distância.
Henry Ford sonhou em produzir carros em série, e hoje temos inúmeras fábricas produzindo e, mais uma vez, diminuímos a distância.
A mesma situação aconteceu com muitas outras invenções. Alguém teve um sonho, o sonho de criar algo que pudesse melhorar a nossa qualidade de vida, e quem sabe, diminuir cada vez mais, as distâncias, que separam as pessoas.
Portanto, vamos sonhar à vontade, vamos construir nossos castelos no ar. Com certeza, logo mais à frente, vamos também conseguir construir os alicerces, que possam transformar nossos castelos e sonhos, em realidade. Quem sabe, dentro de cada um deles, vamos encontrar a nossa felicidade.
Se, na escola da vida, não conseguimos aprender o que nos é ensinado, pelo menos podemos aceitar que , no "Baile da Vida, a felicidade seja nosso eterno Par"

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ação

Notas sobre o conceitode ação dramática [i]
Roberto Mallet

(...)
Em resumo, podemos aplicar uma regra fundamental da escritura dramatúrgica ao trabalho do ator: "a personagem não deve dizer quem e como ela é; isto é revelado através do que ela faz e das situações que ela vive em cena." Se há uma ação concreta e adequada em cena, o público saberá decodificar e compreender o que se passa nas almas das personagens.
Muitas vezes, ao invés de agir, queremos "significar", fingimos que estamos sentindo ou fazendo alguma coisa, e para tanto usamos movimentos aleatórios, esgares, respirações, quando não chegamos aos clichês e às micagens mais óbvias; em outras palavras, em vez de fazer, mostramos que estamos fazendo. Nos dois capítulos acima citados vocês poderão encontrar vários exemplos desse erro.
Para finalizar, vejamos um exemplo de uma seqüência de ações em "Romeu e Julieta". Tomemos o início da cena II do segundo ato (a famosa cena do Balcão). Na mesma noite em que conheceu Julieta, Romeu dirige-se ao palácio dos Capuleto e penetra em seu jardim. Quer rever Julieta e, se possível, falar-lhe. Fiquemos apenas com esse momento, a entrada de Romeu e seu deslocamento até as proximidades do palácio, e imaginemos algumas formas de abordar essa cena.
1. Raciocinemos em termos realistas. Dissemos mais acima que Romeu quer unir-se a Julieta; poderíamos denominar este objetivo da personagem de "objetivo final". Ela entretanto precisará realizar outros objetivos mais específicos, que representam meios que conduzem ao objetivo final. Para abordar a cena que estudamos, portanto, não basta ter em vista apenas o objetivo final. Isto fatalmente falsearia a interpretação. Um ator que entrasse em cena querendo "unir-se a Julieta" simplesmente não saberia o que fazer, e provavelmente deslizaria para um objetivo falso (mostrar-nos os sentimentos da personagem, por exemplo). Ele pode então escolher o objetivo específico "rever Julieta" (alcançado este, o novo objetivo poderá ser "falar com ela", e assim por diante). Agora, ao entrar em cena, Romeu não sabe onde está sua amada; para revê-la, é preciso antes localizá-la. E mais, ele encontra-se em terreno inimigo. Há um objetivo anterior a encontrar Julieta, que é não ser visto. Romeu não pode fazer nenhum ruído. O ator então entraria em cena tendo em mente o objetivo principal de rever Julieta, deslocando-se com todo o cuidado a fim de não ser visto (e também porque é noite, e o terreno lhe é desconhecido). Mesmo que o palco esteja vazio, ele precisa saber se o terreno em que pisa é gramado, areia, pedra, etc., pois as sensações que se tem ao pisar esses vários tipos de terreno são diferentes, bem como a maneira com que o corpo desloca-se aos percorrê-los. Ele também pode definir o que a personagem ouve ao longo do trajeto (seus próprios passos, um pássaro, vozes no interior do palácio - de quem? -, um chafariz), que cheiros percebe... As possibilidades são inumeráveis. Note-se que todos esses detalhes imaginários servem para a construção da cena; não há nenhuma necessidade de que sejam percebidos e decodificados pelo público. O importante é que o ator esteja envolvido com uma seqüência definida de pequenas ações que o conduzirão até o momento em que verá Julieta sair ao balcão.
2. A seqüência poderá ser abordada de maneira não-realista; através de metáforas, por exemplo. Romeu está apaixonado; poderíamos dizer que ele "está nas nuvens". O ator poderá entrar imaginando que está andando sobre nuvens, e também aqui suas imagens terão que encarnar-se, ou seja, os pés têm que "sentir" a consistência e a temperatura da nuvem, a pele sentirá, digamos, o calor da luz do sol, ele ouvirá a certa altura o ruído distante de um trovão, etc.
3. O ator também poderá definir uma seqüência de tensões e micromovimentos musculares, como uma dança que é realizada no interior do corpo, sem deixar que o público perceba o desenho dessa dança.
Em todo caso, o fundamental é que o ator tenha uma seqüência de ações definida (e detalhada) que possa conduzi-lo; que ele saiba a cada momento o que a personagem quer e o que ela está fazendo para alcançar esse objetivo, de maneira que sua interpretação tenha uma unidade e flua ininterrupta do início ao fim do espetáculo.

[i] Texto extraído de artigo encontrado no endereço:
http://www.grupotempo.com.br/tex_notas.html#txnotas2a